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Saúde emite alerta para vacinados há até 21 dias

Na segunda-feira, 8 de junho, Eder Gatti, diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, enfatizou que o foco das autoridades de saúde está na monitorização das pessoas que receberam recentemente a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, especificamente nos últimos 21 dias.

Gatti elucida que esse intervalo é crucial para a detecção de qualquer possível efeito colateral decorrente da imunização.

Ele esclareceu ainda que, após o período de 21 dias, não há base para associar problemas de saúde ao imunizante. Assim, os vacinados podem usufruir dos benefícios da proteção oferecida pela vacina.

O diretor também destacou que o Ministério da Saúde manterá uma vigilância ativa durante 30 dias para analisar quaisquer notificações e realizar uma avaliação minuciosa dos casos reportados. No entanto, os primeiros 21 dias continuam como o principal parâmetro para o monitoramento de possíveis eventos adversos.

“De qualquer forma, vamos orientar que a vigilância permaneça atenta por um período de 30 dias para monitoramento, tendo como referência esses 21 dias como o intervalo em que eventuais casos possam surgir”, declarou Eder Gatti.

Gatti garantiu que as pessoas imunizadas há mais de 21 dias não devem ter preocupações, pois não há indícios de risco associados à vacinação após esse prazo. A recomendação é manter uma vigilância adequada para identificar e investigar qualquer caso que venha a ser notificado.

Estes sinais devem ser monitorados:

  • Febre
  • Dor abdominal intensa e contínua
  • Vômitos persistentes
  • Tontura
  • Sangramentos
  • Sonolência intensa
  • Irritabilidade
  • Sinais de desidratação
  • Piora do estado geral

Motivos para a suspensão

No mesmo dia, o Ministério da Saúde comunicou a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante do Instituto Butantan. A medida foi tomada após a notificação de 42 incidentes adversos graves, incluindo duas mortes que estão sendo investigadas.

Padilha, um porta-voz do ministério, informou que os 42 casos severos detectados representam aproximadamente oito ocorrências para cada 100 mil doses administradas.

Embora a taxa seja baixa, o governo decidiu agir de forma cautelosa. A interrupção se aplica a profissionais da Atenção Primária à Saúde e os locais onde a vacina estava sendo aplicada em campanhas especiais, abrangendo municípios como Nova Lima (MG), Maranguape (CE), Botucatu (SP) e a região de Araguaína (TO).

Descrição dos casos graves

O primeiro caso relatado foi de uma mulher de 39 anos, que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacinação. Ela teve um quadro de dengue grave, resultando em necessidade de internação em terapia intensiva.

A paciente já recebeu alta.

O segundo caso envolve uma mulher de 48 anos que, 19 dias após a vacinação, desenvolveu sintomas de dengue grave e complicações neurológicas, resultando em sua morte.

Por fim, um homem de 58 anos apresentou febre cinco dias após ser vacinado, evoluindo rapidamente para um quadro grave de dengue com choque refratário, o que também levou ao óbito.

O ministério ressaltou que, embora esses episódios sirvam como alerta, ainda não é possível afirmar que a vacina seja a causa dos eventos fatais observados.

Investigação das mortes

As duas mortes estão em fase de investigação. Especialistas avaliam diversos dados clínicos, resultados de exames e históricos médicos para determinar uma possível relação entre os óbitos e a vacinação.

Até o momento, o governo afirma não haver evidências que conectem diretamente as mortes ao imunizante.

Próximos passos

A partir de terça-feira, 9 de junho, a atual estratégia de vacinação será suspensa temporariamente, enquanto os dados de segurança estão em revisão.

O Ministério da Saúde planeja intensificar o monitoramento de casos nas instituições de saúde, dando especial atenção às pessoas que receberam a vacina nos 21 dias anteriores. A orientação é que quaisquer sintomas ou reações adversas sejam reportados aos serviços de saúde para que sejam investigados.

De acordo com o ministro Alexandre Padilha, as evidências existentes continuam a indicar que a vacina oferece proteção contra os quatro sorotipos da dengue.

O ministério enfatizou que a suspensão não questiona a eficácia do imunizante, mas sim busca aprofundar a avaliação dos eventos adversos antes de retomar a campanha.

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