terça-feira, novembro 3, 2026
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“Sim, Eleitores Concorrentes Podem Ser Amigos!” Afirma Psiquiatra

Na urna, cada eleitor faz sua escolha, mas fora dela, a amizade pode prevalecer. Mesmo em um cenário de polarização crescente, pessoas que apoiam candidatos opostos demonstram que é possível discordar sem romper laços.

Os advogados Sérgio Araújo Nielsen, 43 anos, associado à direita, e Ricardo Barbosa Mendonça, 42 anos, identificado com a esquerda, cultivam uma amizade há 14 anos que transcende suas diferenças políticas. Eles compartilham que conversas sobre política são comuns, mas sempre com respeito mútuo. “Cada um expõe seu ponto de vista, mas tudo termina bem. Nossos posicionamentos são bem claros”, afirma Sérgio, em tom leve.

Ambos acreditam que a amizade é construída com respeito pelas escolhas e opiniões do outro. Ricardo reforça que a democracia envolve diversidade de pensamentos e que as amizades não devem acabar por conta disso.

A psiquiatra Letícia Mameri indica que relações de amizade podem prosperar mesmo entre pessoas com visões políticas diferentes. Ela conhece exemplos de amizades que se mantêm respeitosas, mesmo com divergências eleitorais. Letícia afirma que o apego e a confiança são fundamentais para sustentação da amizade, mesmo em meio a opiniões divergentes.

Ela destaca que a amizade não deve ser afetada por rivalidades políticas e que as diferenças podem servir como um ponto de diálogo, desde que haja respeito e limites bem definidos nas conversas. Letícia observa que a dificuldade aumenta quando a política passa a ser a única forma de compreender o outro, fenômeno que ela denomina de “polarização afetiva”. Nesse contexto, a rejeição vai além das ideias e dos partidos, atingindo as pessoas envolvidas nas relações.

Para preservar laços de amizade, é essencial cultivar o respeito. Algumas dicas incluem ouvir ativamente, tentar compreender as motivações de quem pensa diferente e interromper diálogos que se tornem agressivos. Letícia avisa que isso não implica em aceitar comportamentos abusivos, discriminação ou desrespeito. Questões políticas podem impactar as relações, e é importante abordá-las com seriedade.

Após o primeiro turno das eleições, muitos eleitores enfrentaram frustração, culminando em reações intensas nas redes sociais. Entre indignação e ansiedade, internautas começaram a utilizar a expressão “psicose política” para descrever a carga emocional associada aos resultados eleitorais. Entretanto, Letícia adverte que esse termo não é um diagnóstico médico e diferencia sentimentos intensos de quadros clínicos sérios.

Ela alerta que estar ansioso ou extremamente envolvido em discussões políticas não é suficiente para caracterizar uma condição patológica. O uso de termos como psicose pode reforçar estigmas associados a transtornos mentais, associando-os a comportamentos questionáveis.

O terapeuta familiar Cláudio Miranda sugere que, para controlar a ansiedade frente a resultados eleitorais, é recomendável diminuir o tempo de exposição nas redes sociais. Ele aconselha que quem se sentir excessivamente afetado busque apoio profissional.

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