segunda-feira, outubro 12, 2026
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Esquecimento revela diagnóstico de câncer no cérebro em ator

O ator Pablo Sanábio, de 44 anos, percebeu uma mudança incomum em sua capacidade de digitar mensagens de texto ao longo de 2024: ele não conseguia compreender o que havia escrito. Após esse incidente, começou a enfrentar problemas de memória e episódios de confusão mental, o que o levou a buscar um diagnóstico. Ele foi então informado sobre a presença de um glioma, um tipo de tumor cerebral.

“Certa vez, estava em meu quarto e, de repente, caí ao chão tendo uma convulsão. Isso me levou ao hospital, onde foram feitos exames que confirmaram que era um glioma cerebral”, relatou o ator.

O testemunho foi compartilhado em um evento comemorativo dos 50 anos de um grupo farmacêutico. Durante a celebração, a experiência de Sanábio foi o foco principal.

A neuro-oncologista Caroline Chaul, do Hospital Sírio-Libanês, apontou que os gliomas são os tumores primários mais comuns do cérebro, surgindo diretamente das células do sistema nervoso central, embora sua incidência seja considerada rara, representando apenas 1% a 2% dos tumores. A maioria dos casos ocorre em pessoas jovens, geralmente entre 36 e 40 anos, que estão em uma fase da vida cheia de responsabilidades.

Uma pesquisa do Instituto Oncoguia, que focou na jornada do paciente com glioma de baixo grau, destacou que cerca de 40% dos entrevistados deixaram a consulta inicial sem uma compreensão clara de sua condição. Muitos recorreram à internet por informações, porém relataram que a experiência foi muitas vezes confusa e angustiante.

A equipe do farmacêutico desenvolveu a campanha “Isso é um Glioma”, com o objetivo de aumentar a conscientização sobre a doença e os sinais de alerta. O médico Abraham Epelman afirmou que é crucial fornecer informações precisas, visto que muitos pacientes buscam dados sobre suas condições online.

Sanábio se envolveu na campanha, compartilhando sua história com a esperança de auxiliar outros que enfrentam situações semelhantes. “Falar sobre minha experiência e sobre o glioma se tornou um propósito fundamental na minha vida”, revelou.

Em um momento de reflexão, o ator expressou seus temores. “O que mais me preocupava era não estar presente para ver minha filha Manuela crescer. Eu imaginava momentos importantes da vida dela, como sua formatura.”

Após a cirurgia em que foi feito o diagnóstico, Sanábio teve que se preparar para o impacto do tratamento. “Apesar de inicialmente me sentir tranquilo, a confirmação de que precisava fazer quimioterapia e radioterapia foi um grande choque. No entanto, hoje sou grato pela forma como tudo se desenrolou”, afirmou.

O retorno ao trabalho após o diagnóstico foi uma fase crucial para o ator. “Estava prestes a iniciar as gravações de uma novela quando fui diagnosticado. O medo de ter sequelas me acompanhou. Mas, felizmente, a cirurgia foi bem-sucedida e consegui voltar ao meu papel”, destacou.

Com relação ao apoio que recebeu, Sanábio enfatizou a importância dos amigos durante sua jornada. “Tive uma rede de apoio incrível, pois uma doença como essa afeta não só o paciente, mas todos ao redor”, ressaltou.

Para aqueles que recebem um diagnóstico semelhante, o ator deixou uma mensagem de esperança: “É importante saber que a esperança existe e deve ser construída dia a dia. Eu passei por muitas dificuldades, mas agora estou aqui, vivo, pronto para ajudar outros e compartilhar minha história”.

A pesquisa do Instituto Oncoguia mostrou que, muitas vezes, os pacientes levam mais de um ano para receber um diagnóstico preciso de glioma cerebral. Entre os participantes, 20% relataram que a confirmação da doença levou mais de um ano para ocorrer após os primeiros sintomas. Outros 45% aguardaram de três meses a um ano, e 35% conseguiram um diagnóstico mais rápido, geralmente após uma convulsão que levou a novos exames.

Luciana Holtz, presidente da Oncoguia, destacou que essa demora é muitas vezes causada pela dificuldade em identificar os primeiros sinais da doença, levando a uma maior ansiedade e a sensação de não serem levados a sério. “Pacientes chegaram a ser diagnosticados erroneamente com problemas psicológicos antes da confirmação do glioma”, contou Chaul.

Os exames de ressonância magnética são considerados os mais eficazes para detecção. Contudo, muitos pacientes enfrentaram dificuldades em acessá-los durante a investigação, o que pode resultar em custos adicionais enquanto buscam um diagnóstico.

Resultados mostram que é necessário aprimorar a assistência médica, com uma comunicação mais clara entre profissionais, considerando a sensibilidade do momento vivido pelos pacientes.

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