segunda-feira, outubro 12, 2026
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Sem marca e sem margem: os custos ocultos da agropecuária no Espírito Santo

Espírito Santo se Destaca na Exportação Agropecuária, mas Carece de Marca Pública

O Espírito Santo tem se consolidado como líder nacional na exportação de produtos como pimenta-do-reino, mamão e gengibre, correspondendo a 58%, 44% e 62% das exportações totais brasileiras, respectivamente, no ano de 2024. Além disso, o estado figura como o segundo no ranking de café conilon, que está presente em 50 mil propriedades rurais, superando até mesmo São Paulo.

No ano passado, o setor agro capixaba obteve um expressivo resultado de US$ 3,6 bilhões em exportações, representando um crescimento de 69,4% em comparação a 2023, alcançando 125 países. O valor bruto da produção (VBP) foi estimado em R$ 31,2 bilhões. Embora a infraestrutura portuária do estado esteja bem estruturada e o Incaper realize pesquisas genéticas inovadoras, o Espírito Santo enfrenta um desafio nas negociações comerciais: costuma aceitar os preços impostos pelos compradores.

A problemática não reside em questões de câmbio ou logística, mas na falta de uma Marca Pública Regional (MPR). Essa marca, que vai além de um simples selo, serve como um instrumento de política econômica que transforma a origem dos produtos em valor agregado. A certificação de origem é essencial para diminuir a assimetria de informações, aumentar a confiança do consumidor e possibilitar um preço-prêmio.

Mercados europeus e americanos já demonstram disposição em pagar mais por produtos que possam comprovar sua origem e que têm impacto ambiental controlado. Entretanto, o Espírito Santo ainda não tem um sistema estruturado para cobrar esse diferencial.

A cafeicultura, que representa 37% do PIB agropecuário do estado, está majoritariamente (73%) nas mãos de famílias e poderia ser a líder desse movimento para reforçar a marca regional. Para que isso ocorra, é necessário que quatro agentes atuem de forma integrada: governo local, cooperativas, empresas do setor e instituições como o Incaper. Essa colaboração pode resultar em um "cluster" agrícola com maior poder de mercado.

Os consumidores globais estão cada vez mais exigentes, buscando informações sobre práticas de cultivo, medição da pegada de carbono e o uso de biofertilizantes no lugar de agroquímicos. Essas não são demandas futuras, mas sim critérios que já são relevantes no presente.

Para os executivos que pensam estrategicamente, a pergunta permanece clara: quanto da produção capixaba é exportada sem a devida identificação e ao preço determinado pelos compradores? A distinção entre commodity e produto com origem certificada afeta diretamente a margem que permanece na cadeia produtiva, não na conta do importador. Soluções financeiras estruturadas não substituem a relevância de uma marca forte.

Assim, a falta de posicionamento estratégico impede que a produtividade se converta em resultados acumulativos. O Espírito Santo possui os produtos, a pesquisa e a infraestrutura necessária; o que ainda falta é o desenvolvimento de uma identidade que leve os compradores a buscar produtos capixabas pelo nome, em vez de aceitarem a primeira opção que lhes é apresentada.

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