domingo, outubro 11, 2026
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Chanceler do Uruguai afirma à Folha que Delcy é tão ilegítima quanto Maduro

Um dos últimos exemplos de governos de esquerda na América Latina, o Uruguai se destaca em um cenário regional que se inclina para a direita. Atualmente, o país ocupa posições significativas em esforços de integração, sendo o presidente temporário do Mercosul e liderando a Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos).

Durante a Assembleia Geral da ONU, que ocorreu em setembro em Nova York, o chanceler uruguaio, Mario Lubetkin, compartilhou sua visão sobre os desafios enfrentados pela região, a influência dos Estados Unidos e as próximas eleições no Brasil.

Lubetkin, ligado ao governo de Yamandú Orsi e considerado sucessor político de Pepe Mujica, defendeu que as parcerias para combater o crime organizado devem focar na unidade regional. Vale ressaltar que tanto o Uruguai quanto o Brasil não foram convidados para integrar o Escudo das Américas.

Em relação à Venezuela, o chanceler afirmou que não há possibilidade de reestabelecer relações bilaterais enquanto Delcy Rodríguez estiver no poder, pois a considera tão ilegítima quanto Nicolás Maduro.

Quanto ao ambiente político no Brasil, Lubetkin reconheceu a possibilidade de interferência externa nas eleições e alertou sobre a necessidade de vigilância em relação a esse aspecto. Sobre Flávio Bolsonaro, que é o principal adversário de Lula e anunciou uma intenção de se retirar do Mercosul, o chanceler acredita que ele perceberia a impraticabilidade de certas declarações ao assumir a presidência.

Lubetkin avaliou o nível de diálogo e integração na América Latina, elogiando as relações do Uruguai com diferentes governos na região. O país tem mantido um diálogo ativo e produtivo, conforme demonstrado pelas quatro reuniões da Celac realizadas nas margens da Assembleia Geral da ONU, onde todos os países participantes reafirmaram a importância de seguir em frente com a organização.

Além disso, o Uruguai está colaborando com a Índia para criar um plano de ação conjunto, e viu um encontro histórico com a União Africana. A busca por uma cúpula presidencial entre a Celac e a União Europeia, programada para junho em Bruxelas, também foi destacada.

Lubetkin ressaltou que, mesmo diante da polarização política, continua a existir a necessidade de resolver problemas comuns, como segurança e estabilidade socioeconômica.

Sobre a proposta dos Estados Unidos, ele aludiu ao fato de que, embora o Uruguai não esteja integrado ao Escudo das Américas, o país ativa sua participação em iniciativas de segurança por meio do Compromisso de Santiago, que reúne presidentes de diversas nações e discute estratégias de ação conjunta.

Ele enfatizou que a abordagem não deve se restringir a “segurança sim ou não”, mas deve se focar nos órgãos responsáveis por coordenar esse trabalho. O Uruguai mantém, segundo Lubetkin, um bom relacionamento com seus vizinhos.

A respeito do processo eleitoral no Brasil, o chanceler expressou a esperança de que as eleições sejam justas e pacíficas, reiterando a disposição de trabalhar com qualquer governante que a população escolher.

Lubetkin também manifestou preocupações sobre a possibilidade de interferência externa nas eleições, mencionando experiências anteriores em outros países.

Sobre a iminente saída do Brasil do Mercosul, ele ressaltou que não é simples desvincular-se do bloco devido a compromissos econômicos interligados, o que acarretaria prejuízos significativos para a economia brasileira. A posição do Uruguai é de que, se Flávio Bolsonaro assumir a presidência, ele reconheceria que muitas promessas de campanha são irrealizáveis na prática.

Lubetkin citou a ausência de uma relação diplomática com Caracas, afirmando que isso se manterá inalterado enquanto a legitimidade do governo venezuelano estiver em questão.

Ele também abordou a situação cubana, considerando-a severa e defendendo um diálogo aberto, tanto com os EUA quanto dentro da própria sociedade de Cuba, para que a população possa definir seu futuro.

Por fim, o acordo Mercosul-União Europeia está em vigor, embora a ratificação completa pelo Parlamento Europeu ainda leve tempo, com o Uruguai já percebendo economias significativas devido ao novo comércio facilitado.

Mario Lubetkin, com 66 anos, ocupa o cargo de ministro de Relações Exteriores do Uruguai e já foi representante da FAO para a América Latina e o Caribe de 2022 a 2025.

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