O Dia de Nossa Senhora Aparecida, celebrado na segunda-feira, 12 de outubro, relembra a história da imagem que, segundo a tradição popular, foi descoberta no Rio Paraíba do Sul em 1717. Este rio é considerado um dos principais da região Sudeste do Brasil.
A professora Isabela Frade, da Universidade Federal do Espírito Santo, conduziu uma pesquisa que revela como a escultura transformou-se em termos materiais e de significado ao longo de mais de trezentos anos.
A escultura, que possui aproximadamente 37 centímetros de altura, é feita de terracota e representa Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Conforme a tradição, foi encontrada por três pescadores, que inicialmente descobriram apenas o corpo da imagem, enquanto a cabeça foi localizada em uma segunda busca.
A pesquisa da docente analisa a imagem sob diferentes perspectivas: como um objeto artístico, histórico, religioso e cultural. A escultura, de criação anônima, é datada do século XVII e é possível que tenha sido elaborada por Frei Agostinho de Jesus ou por seus discípulos, com base em suas características.
Dentre os aspectos observados estão o rosto delicado, as mãos em posição de oração, a tiara de rosas e o movimento das vestes. No entanto, a aparência da imagem não se manteve inalterada desde sua confecção inicial. Ao longo dos anos, a escultura sofreu deteriorações, intervenções e restaurações.
Uma das intervenções mais notórias ocorreu em 1978, quando a escultura caiu de seu nicho na Basílica e quebrou-se em vários pedaços. Durante a restauração, algumas características foram alteradas, como o alongamento dos cabelos, que foi feito para facilitar a fixação da cabeça ao corpo.
Registros analisados pela pesquisadora indicam que a escultura foi originalmente produzida com argila clara e pintada. A tonalidade escura que a imagem apresenta atualmente é resultado da perda da policromia e da exposição a diferentes condições ao longo do tempo.
Adicionalmente, a professora observou que descrições antigas não a caracterizavam explicitamente como negra, mas sim como morena ou parda escura. Nos dias de hoje, a imagem de Aparecida é predominantemente representada como santa negra, uma identidade que também se reflete nas réplicas da escultura.
A escultura foi inicialmente colocada em um oratório na residência de um dos pescadores. A devoção a ela atraiu a atenção de vizinhos e peregrinos, levando à construção de uma capela próxima à estrada. Atualmente, a imagem está alocada em um nicho no Santuário Nacional de Aparecida, localizado em São Paulo.
Conforme a pesquisa, as esculturas e representações religiosas desempenharam um papel fundamental na difusão da fé católica durante o período colonial. Esses objetos serviam como recursos visuais, contando histórias para comunidades que, em grande parte, não tinham acesso à escrita, além de contribuírem para a formação de identidades e laços ligados à religiosidade popular.
