A eleição para o governo do Distrito Federal (GDF) apresenta uma polarização semelhante à disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A candidata Celina Leão (PP), que ficou a apenas 168 votos da vitória no primeiro turno, está em busca de consolidar sua vantagem até a votação do segundo turno, marcada para 25 de outubro.
Seu adversário, Leandro Grass (PT), está mobilizando seus apoiadores na tentativa de inverter o resultado e conquistar o Palácio do Buriti. Celina que chegou à segunda fase eleitoral com o respaldo de uma ampla aliança, conta com o apoio de partidos como o PP, Republicanos, MDB, Podemos e PL.
Durante a campanha, Celina teve a presença de figuras destacadas como Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, recém-eleitas senadoras. A governadora pretende agora transformar esse suporte em mobilização para as urnas, reforçando sua identificação com o número 11, que representa o PP. Essa estratégia surge após uma confusão no primeiro turno, quando 26.603 eleitores digitarem 22, número do PL, resultando na anulação de seus votos. A governadora atribui esse erro à frequentação constante ao lado de suas aliadas durante a campanha.
Celina reconhece a necessidade de clarificar sua posição nas urnas em relação aos candidatos alinhados com o PL, visando evitar confusões semelhantes nas votações que se aproximam. Em suas declarações, enfatizou que sua campanha se concentrará em destacar que seu número é 11, enquanto o candidato à presidência de seu grupo, Flávio Bolsonaro, é 22.
Além disso, Celina busca aumentar a mobilização dos eleitores que manifestaram apoio a ela e tentar atrair aqueles que não votaram no primeiro turno. Ela explica que a sensação de uma vitória já garantida pode ter levado à apatia entre os eleitores e aliados. Dos mais de 2,2 milhões de eleitores no DF, cerca de 426 mil não compareceram às urnas na primeira fase, totalizando cerca de 19% do eleitorado.
A governadora enfrenta também desafios relacionados à crise do Banco de Brasília (BRB) e à gestão anterior de Ibaneis Rocha. Apesar de seu papel como vice de Ibaneis, Celina evitou discutir soluções para a crise do BRB durante a campanha, preferindo deixar o assunto para depois da eleição e atribuindo a responsabilidade a esferas do governo federal. A situação financeira do BRB se agravou após a compra de títulos do Banco Master e sua possível privatização foi publicamente negada por Celina.
Ela está em busca de um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com a União, apesar da negativa do governo federal em garantir a operação. Além disso, Celina distanciou a imagem do ex-governador de sua campanha para evitar os efeitos negativos de sua gestão.
Leandro Grass, por sua vez, chega ao segundo turno enfrentando uma desvantagem de 15,46 pontos percentuais em relação a Celina. O petista tem buscado angariar votos fora de seu núcleo tradicional, tentando atrair eleitores de candidatos que não avançaram no pleito. Eleito no primeiro turno, Grass aposta em conquistar também os votos de quem não compareceu.
Para diminuir a diferença, ele se aproximou de outras campanhas, como a de Paula Belmonte e Kiko Caputo, que somaram quase 213 mil votos, embora Caputo tenha optado por apoiar Celina. Já Belmonte optou por não apoiar nenhum dos candidatos. Grass conta com o apoio de Ricardo Cappelli, que trouxe mais de 36 mil votos, e declarou que tem 800 mil votos a buscar, além de enfatizar que sua candidatura vai além das divisões partidárias.
Grass enfrenta não apenas o desafio da transferência de votos, mas também a composição política que encontrará caso vença. A coligação de partidos que o apoiam conseguiu eleger apenas cinco deputados distritais, o que torna sua governabilidade desafiadora. Entre os deputados federais, cinco pertencem a partidos que apoiam Celina, complicando ainda mais sua posição no cenário político do DF.
Por fim, o candidato do PT tenta evitar que a polarização nacional limite sua candidatura a uma disputa entre esquerda e direita, assegurando que sua gestão buscará um diálogo independente de quem ocupe a presidência da República, destacando que a defesa dos interesses de Brasília é sua prioridade.
