domingo, setembro 20, 2026
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Estudo revela que 80% dos médicos de UTI necessitam de suporte à saúde mental.

A realidade dos médicos que atuam nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do Brasil revela que 79,7% deles necessitam de algum tipo de atenção relacionada à saúde mental, segundo uma pesquisa da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib). O levantamento foi conduzido com profissionais de todo o país e do Distrito Federal.

Dados do “Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica nas UTIs Brasileiras” indicam que 48,5% dos médicos relatam níveis elevados de esgotamento mental, enquanto 31,2% enfrentam um esgotamento moderado.

Além do alto índice de estresse, a pesquisa também aponta para a insatisfação profissional e o distanciamento emocional entre colegas, fatores que podem dificultar a busca por ajuda e contribuir para a normalização do sofrimento dentro da profissão.

A pandemia de Covid-19 intensificou esses desafios. Durante esse período, o nutrólogo Vitor Dalla, que desde a infância sonhava em ser médico, teve de enfrentar uma rotina marcada pela incerteza e pela necessidade de tomar decisões diante de uma doença desconhecida. Ele descreve a situação dizendo que, no meio de um cenário desconhecido, não se sabia como tratar ou qual seria a evolução da doença.

Essa fase exigiu adaptação rápida e enfrentamento de desafios sem respostas concretas. Para os profissionais que atendem pacientes em estado grave, a pressão se somou à constante possibilidade de agravamento e falecimento.

Um desafio adicional levantado é o reconhecimento do próprio desgaste. Médicos habituados a operar em estado de alerta podem acabar minimizando sinais de esgotamento como parte normal do seu dia a dia. O presidente da Associação Brasileira de Medicina Intensiva observa que esses profissionais lidam com situações críticas e que o cuidado deles vai além do aspecto técnico.

Vitor ressalta que, com o tempo, os profissionais podem banalizar sua própria condição, permanecendo sempre em estado de prontidão, que se assemelha a um constante “pé no burnout”. O burnout é geralmente associado ao estresse ocupacional crônico e se manifesta por exaustão, distanciamento emocional e diminuição da sensação de realização no trabalho. Para os médicos intensivistas, o contato contínuo com altas complexidades eleva ainda mais essa carga.

No Espírito Santo, há 1.337 leitos de UTI, além de 315 médicos especialistas e 67 profissionais em formação na área. O referido estudo da Amib não fornece dados específicos sobre o burnout entre os médicos do estado.

Apesar das dificuldades enfrentadas na profissão, Vitor Dalla afirma que ainda encontra realização pessoal em sua carreira médica. Ele destaca sua satisfação por ter realizado seu sonho de infância ao se tornar médico, o que, segundo ele, é uma fonte de felicidade.

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