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El Niño pode intensificar casos de dengue e agravar doenças no Espírito Santo

O fenômeno do El Niño promete trazer ao Espírito Santo períodos de chuvas intensas e calor extremo. Além das alterações climáticas, o Ministério da Saúde alerta que essa situação pode aumentar o risco de problemas de saúde, como doenças respiratórias, cardiovasculares e arboviroses, incluindo dengue e chikungunya.

Em coletiva realizada na quarta-feira (16), o Ministério da Saúde anunciou um plano de preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) para lidar com os impactos que o fenômeno deve causar no Brasil entre este ano e o início de 2027.

Os efeitos das mudanças climáticas vão variar conforme as características de cada região. No Sudeste, a combinação de calor, chuvas torrenciais e eventos climáticos extremos deve colocar pressão adicional sobre os serviços de saúde.

Durante a apresentação, o diretor do programa da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, Nilton Pereira, enfatizou que o Sudeste enfrentará condições diferentes em comparação com outras regiões do país. Segundo ele, os temporais deverão ocorrer de forma concentrada, resultando em um volume elevado de água que pode acarretar diversas consequências, como deslizamentos, enchentes e acidentes.

Essas situações de alagamento poderão potencializar doenças relacionadas à água contaminada, além de dificultar o acesso da população a serviços de saúde. O impacto vai além do momento em que chove, pois unidades de saúde podem ser atingidas em desastres, prejudicando a assistência à população. Doenças crônicas e sofrimento mental também estão entre os efeitos que podem surgir após eventos extremos.

As arboviroses, como dengue e chikungunya, são uma das principais preocupações da pasta para a região Sudeste. Há expectativas de que a incidência dessas doenças aumente no segundo semestre, e o Ministério está colaborando com estados e municípios na elaboração de planos de contingência para enfrentar uma possível alta nos casos.

O ministro da Saúde mencionou que o aquecimento global pode fazer com que doenças transmitidas por mosquitos se expandam para áreas onde eram raras. Ele citou o exemplo da dengue, que está avançando para regiões do Sul do país, como o Rio Grande do Sul, onde os casos da doença aumentaram mesmo durante as enchentes de 2024.

No Espírito Santo, o cenário é preocupante, pois o estado já enfrenta a circulação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika.

Outro ponto destacado é o aumento da temperatura, que pode agravar doenças cardiovasculares. O calor intenso pode colocar uma pressão adicional sobre o sistema cardiovascular, especialmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas, como problemas cardíacos, pulmonares, diabetes ou doenças renais.

O ministro Padilha informou que o Ministério está analisando dados meteorológicos em conjunto com estatísticas de atendimentos do SUS, a fim de identificar quais doenças tendem a aumentar com as variações climáticas. A partir desse cruzamento, as unidades de saúde poderão se preparar e antecipar a demanda por atendimentos.

Além disso, os eventos climáticos extremos poderão impactar o sistema respiratório, uma preocupação crescente no Sudeste. A combinação de calor, poluição, queimadas e variações ambientais está diretamente relacionada ao aumento de doenças respiratórias. Essa preocupação já é evidente no Espírito Santo, especialmente em períodos de grande variação térmica.

Em face do cenário que se aproxima, o Ministério da Saúde delineou um plano que inclui:

– Estabelecimento de bases do SUS com apoio da Força Nacional no Rio de Janeiro;
– Criação do Centro de Informação em Saúde e Clima (CISC) em Belo Horizonte;
– Mapeamento de áreas de calor extremo;
– Implantação de zonas de resfriamento;
– Instalação de pontos de hidratação;
– Preparação da rede assistencial com protocolos específicos.

O Ministério tem mantido um diálogo constante com as administrações municipais e estaduais para viabilizar ações focadas.

Para os próximos meses, a recomendação é que a população capixaba fique atenta aos avisos meteorológicos e orientações das autoridades de saúde, principalmente durante os períodos de chuva intensa e calor extremo. É fundamental manter medidas de prevenção contra o Aedes aegypti, como eliminar locais que possam acumular água e cobrir reservatórios. Em caso de tempestades, a população deve evitar áreas alagadas e locais com risco de deslizamento. Pessoas com doenças crônicas precisam redobrar a atenção em condições de calor intenso e buscar atendimento médico ao apresentar qualquer sintoma ou agravamento de suas condições de saúde.

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